Dois dias depois...
Pedro parou para tomar um drink no restaurante do
hotel, havia dois dias que ele não podia esquecer os lábios daquela mulher...
Mary. De repente como adivinhando seus pensamentos ela se materializa em
sua frente.
Incomodado com a presença de Bernardo ele só
observava, afinal ele não sabia como chegar até os dois, e se eles fossem amantes?
Aquele pensamento meio que pairou em todo tempo que ele se aproximava de Mary.
Ela não pode estar envolvida com esse cara.
Ele a observava gesticular, enquanto Bernardo a
olhava com olhos de rapina, e de vez enquanto dava um sorriso de satisfação em
ouvir o que ela dizia.
Do outro lado do salão do restaurante...
Mary observou Bernardo se aproximar, seu corpo
enrijeceu, parecia que estava trazendo o peso do mundo em suas costas, mas ela
tinha que tentar resolver seus problemas de uma vez.
- Bom dia princesa!
_ Não me chame assim!
_Calma Mary, porque o nervosismo? Afinal eu não
mordo, não é?
_ Sente-se, vamos deixar seus sarcasmos de lado.
_ OK, se é o que deseja. Porque me chamou, afinal
de contas tudo já está resolvido. Tudo que era seu, agora é meu. E você só tem
alguns dias pra sair do apartamento e me entregar as chaves do carro e da casa
dos seus pais.
- Não é justo! Mary bateu na mesa como quem entra
em desespero total.
- Nesse mundo, minha querida, nada é justo, tudo
são negócios e negócios são pra quem entende do riscado. Não foi seu caso, veja
bem, você se entregou ao primeiro vagabundo que encontrou pela frente,
acreditou em suas palavras ao dizer que era grande negociante de bolsa, que
multiplicaria seus bens em um ano, quando na verdade ele estava apenas com
alguma pequena sorte em uma mesa de jogo, que logo foi embora bastou ele ter a
procuração assinada por você. Como Você foi tonta! Idiota mesmo! Mas enfim,
quem ganhou foi eu, ele fugiu, você só tem 5 dias para me dar tudo por bem,
então não acredito que possamos conversar mais nada.
_ Você sabe que isso é ilegal, não é? Posso entrar
na justiça e que podem descobrir que você é o maior criminoso da cidade com a
aparência de homem de negócios.
_ Você pode fazer o que quiser, afinal é só uma “ÓRFÔ,
de pai e mãe, sem instrução e que por algum motivo ainda não sei como não caiu
na vida, ou...
_ Ou o que?
_ Você sabe que essa cidade está cheia de
proprietários de grandes fortunas, Devido à último leilão promovido pela
empresa de Pedro, ninguém quer ter seu nome envolvido em grandes
escândalos sexuais. Será que você não está chantageando alguém?
_ por favor me poupe de suas ironias ao meu
respeito, não interessa saber o que você pensa ou deixa de pensar, você é leva
uma vida criminosa, não é você quem vai me deixar humilhada.
_ muito bem princesa então já que é assim não
temos nada para conversar só não esqueça que dentro de alguns dias você deverá
sair daquilo que você chama de casa, para onde você vai não me interessa, só
quero o que me pertence, adeus.
Bernardo saiu deixando Mary atônita, ela não deixou
transparecer, mas, seu coração sabia, Bernardo tinha um pouco de razão, ela
estava beira de se tornar aquilo que ele havia falado, logo estaria sem
casa, apartamento e nem o carro teria para poder morar dentro.
Seus olhos começaram a marejar, em poucos
segundos ela estava chorando copiosamente em meio ao restaurante de hotel, mas
isso não fazia diferença, em breve ela estaria chorando pelas calçadas da
cidade sem ter aonde ir e principalmente para onde voltar.
Logo ali Pedro a observava…
Viu quando Bernardo foi embora e Mary
ficou chorando, ele estava imaginando se aquele canalha havia terminado um
suposto romance com sua doce Mary, mas provavelmente sua mente estava
apenas e pregando uma peça, final aquela mulher foi vista por ele apenas em uma
noite, não poderia ter-lhe interessado tanto, ele não poderia estar sentindo
ciúme, ou será que estava? ele ficou se perguntando se
poderia ir ao encontro daquela mulher, quanto mais tempo ela passava naquela mesa
chorando mais as pessoas iam observando-a, não era nada agradável a cena que se
passava em sua frente.
Decidindo
não mais observar, resolveu agir, levantou-se e foi direto onde
estava Mary.
-Mary
você está bem?
Mary
olhou-o e se sentiu ao mesmo tempo aliviada e envergonhada,
aliviada ao ver um rosto conhecido, porém, era o homem que teimava
povoar seus pensamentos por dois dias seguidos, seu choro deu lugar a um
sorriso triste, enquanto os olhava para baixo pediu licença para se retirar, Pedro porém
vendo o desespero em seu rosto segurou-a pelo braço e pediu gentilmente:
·
Mary fique. você não está bem, e eu não posso deixar
você ir a qualquer lugar desta maneira, além de ser uma falta de empatia, eu me
sentiria um lixo em deixar você tão sozinha no momento em que você parece estar
precisando de um ombro amigo.
Mary
sentou-se novamente, um pouco mais calma. Pedro apenas a observava aquele
sofrimento não poderia ser apenas por amor, algo lhe dizia que tinha muito mais
por trás.
·
Está mais calma?
Mary
assentiu com a cabeça.
- Você quer me contar o que está acontecendo
com você?
- É um assunto muito particular e muito íntimo, não
quero incomodá-lo com meus problemas, o senhor é um homem muito ocupado não
deve se preocupar com coisas assim de alguém você mal conhece.
_ Primeiro lugar, não me chame de senhor, segundo
minhas ocupações não me impedem de ajudar quem claramente está precisando e
nesse momento, minha única preocupação é seu bem-estar.
Pedro tirou de seu paletó um lenço branco e a
entregou, Mary enxugou as lágrimas e deu um leve sorriso, mas ainda continuava
olhando para baixo.
_vamos sair daqui? E antes que diga que não, digo
a você que não aceito não como resposta, você estava chorando depois que seu
namorado foi embora. Pedro falou aquilo com uma ponta de ciúme e raiva, maior
do que ele gostaria de transparecer.
_ Aquele verme não é meu namorado. Mary falou
indignada, como aquele homem poderia imaginar que eu namoraria aquele desonesto
e trapaceiro?
Pedro respondeu:
_ desculpa, só imaginei...
- Imaginou errado. - Mary falou mais aborrecida
que gostaria, afinal ele estava apenas tentando ajudá-la.
_ Certo, não está mais aqui que falou. Mas vamos
sair daqui, tem muita gente nos olhando, você não quer toda essa gente
especulando sobre sua vida, não é?
_ Não. Realmente não.
Pedro ajudou a se levantar, segurou seu braço
direito entrelaçando com os seus e a guiou para fora do hotel.

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