Dois dias antes…

 Pedro se preparava para uma festa, no hotel VALERY, um luxuoso hotel no centro efervescente da cidade de Pontal do sol, uma cidade pequena, porém de grande influência no estado do Pará devido ao seu mais novo achado, uma mina de diamantes descoberta a dez anos, e que somente a 3 havia se tornado tão conhecida dos grandes milionários do país devido aos leilões semanais de diamantes e joias, em sua maioria de Pedro, coisa que não era qualquer pessoa que poderia participar.

 Ele relembrava sua chegada a Pontal do Sol...

 Pedro chegou à cidade com 25 anos, 7 anos antes do descobrimento da mina. Fugia da sua desgraçada tragédia, sua noiva Cristina, fora assassinada grávida, a caminho da igreja por uma bala perdida, na cidade do Rio de Janeiro. Pedro alucinado por tanta dor jurou nunca mais pisar na sua cidade natal, e saiu apenas com a roupa do corpo dois dias depois do acontecido, deixando seus pais sem saber seu paradeiro por 2 anos inteiros.

 Mas àquela hora não era para pensar em sua vida anterior aos bilhões que ganhou, além do que já tinha em sua conta bancária antes de sua partida. Era a hora da sua glória, seu mais novo leilão lhe daria no mínimo 3 bilhões de lucro. Era tudo que ele se importava naquele momento. Seu coração estava fechado para qualquer outra coisa que não fosse negócios e lucros.

 Tomou banho, vestiu seu mais novo terno deixado pela camareira, especialmente vindo do seu alfaiate pessoal e sob medida, olhava-se no espelho, estava perfeito, pensou. Afinal no mundo dos negócios a aparência era a cereja do bolo, não que ele gostasse dessa frase meio cafona.

 Ligou para recepção e pediu seu automóvel, ele morava em um apartamento amplo e bem planejado pelo mais renomado


arquiteto do país, paredes com alguns quadros valiosos, nada muito chamativo, elegante e sofisticado, em um edifício principal na entrada da cidade, ele gostava de estar em sua varanda e sentir a brisa leve sem a agitação do centro comercial, lhe dava tranquilidade para trabalhar em seus projetos de ampliação dos negócios e também quando podia, seu refúgio da dor de lembranças passadas. 

 Descendo encontrou alguns amigos, David, seu melhor amigo, Renato seu vizinho de andar e Ricardo, este um mero conhecido que por vezes tentava tirar vantagens por andar junto aos mais ricos da cidade, mesmo não tendo onde cair morto. Entraram ambos no carro, Ricardo claro queria ir na frente:

- Qual seus planos Ricardo? Quer dirigir meu carro também? Perguntou o bem-humorado Pedro, nem aquele idiota lhe tiraria a paciência nem o brilho nos olhos por sua noite maravilhosa e que de passagem estava apenas começando.

Ricardo entendeu o recado e passou para o banco de trás, deixando David ficar ao lado do amigo. Todos riram, até porque Ricardo sempre tentava mostrar suas asas, mas, sempre era rechaçado por todos, e mesmo assim não aprendia a lição.

Pedro dirigiu seu carro até a entrada do hotel Valery, ficou feliz que ainda estava cedo, não tinha tantos repórteres como se costumava dar nessas ocasiões, ele poderia passar tranquilo, apenas dando uma ou outra resposta vaga para as mesmas indagações de sempre. Subiriam ao quarto reservado para tomar uns drinks e se prepararem para a ocasião, David estava tão ansioso quanto o amigo, Renato estava tranquilo, afinal ele sempre comprava os melhores lotes nos leilões de Pedro, mas essa noite ele queria apenas uma joia da coleção, e era certo adquirir, já que ninguém conseguia bater seus lances. E nesta noite ele pediria o amor da sua vida em casamento.

Ricardo não via a hora de descer os elevadores do hotel junto com seus amigos e se exibir para as mulheres como se ele fosse também um milionário e consegui uma noite de farra e prazer.

...

Mary em um dos quartos do hotel vestida para mais uma noite de trabalho, naqueles leilões entediantes, sendo exibida para todos no salão, tendo que sorrir e agradar a gregos e troianos, mesmo sabendo que os interesses reais todos eram nas joias que ela elegantemente teria que carregar no corpo, não podia se quer tropeçar como qualquer outra mortal pois desvalorizariam as peças. E assim pensando a campainha tocou, era a sua chefe.

-Vamos Mary, já está na hora!

-Sim já estou indo. Ela respondeu sem muita animação.  Estava com os pensamentos em turbilhão, ali seria uma noite interminável, e nos dias seguintes precisaria de muita coragem para fazer o que precisava para salvar sua última chance de recuperar seus bens trocados em uma mesa de jogo clandestina pela única pessoa de quem ela jamais esperaria uma traição.

Ferida e sofrendo lá se foi ela a mais uma festa dos horrores...

Chegando no camarim onde seria apresentada a joia que iria usar, recebeu a notícia de sua chefe:

- Mary, houve um imprevisto de última hora e a moça que iria fazer a última apresentação da Joia final não pode comparecer, neste caso é você quem vai ter que usar a peça, você tem mais experiência que as outras meninas sendo assim você será a última a se apresentar.

- Tudo bem dona Ana eu me apresento, qual a peça que usarei?

- Você usará o Anel número 15 do lote 3. É uma peça muito cara, todos estão esperando, pois ele vale mais que os dois primeiros lotes juntos. Portanto é imprescindível que você esteja bastante segura de si, e também preparada para uma responsabilidade muito grande. Lembre-se você ficará acompanhada de 2 seguranças o tempo que estiver com ele no dedo. Apenas na hora do desfile de apresentação você entrará sozinha.

Mary gelou a barriga com a informação. A joia que estaria usando naquela noite no mínimo valeria meio bilhão de reais. Fora a exposição, ela seria a última a se apresentar, nesse caso sua mão teria maior visibilidade, porém ela também seria alvo de olhares. Enquanto pensava sua chefe ia lhe passando mais informações sobre o conteúdo da peça e como apresentá-la para que todos a apreciassem.

- Mary? Está me ouvindo?

- Sim claro desculpe-me.

-Espero que tenha escutado tudo e faça como lhe ordenei. Esse leilão é o último do ano, o mais importante e lucrativo. Se tudo sair conforme o combinado nosso contrato será renovado por mais um ano. Do contrário nosso cliente fará contrato com outras agências e sabemos que nesse mercado uma vez que estejamos fora do ramo de diamantes não sobrará mais nada nessa cidade a fazer.

Uma responsabilidade tão grande para cima dela, ainda mais com tantos problemas pessoais para resolver, Mary pensou em desistir, mas tudo seria pior em sua triste vida.

Decidiu então seguir em frente e não desapontar sua chefe.

- Mais alguma instrução dona Ana?

- Não, porém um aviso, antes da sua apresentação o dono da empresa virá pessoalmente conferir as peças. Favor tratá-lo com respeito e elegância como você sabe fazer.  Boa sorte!

Ana saiu de perto de Mary pra dar instruções para as suas outras modelos. Mary pensou:

- Mais essa! Agora vou ser intimidada pelo dono da empresa também!

Seu coração disparou, suas mãos gelaram, seu estômago ficou como se tivessem lhe dado um soco de tão nervosa.

Ela já sabia quem era Pedro, um homem elegante, bonito, que vivia parecendo nas revistas nacionais ao lado de mulheres deslumbrantes a cada semana uma diferente. Ela achava aquilo ridículo, qual o mal desses homens milionários? Qual o motivo para tratar mulheres como se fossem objetos? Porém agora não era a hora de pensar naquele par de olhos verdes, de cabelos alinhados tão perfeitos, que todos os fios pareciam não sair do lugar!

 

 

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